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História do Atheneu Sergipense

O Atheneu Sergipense, instituição oficial de estudos secundários de Sergipe, criado a 24 de outubro de 1870 no Governo do Presidente Tenente Coronel Francisco José Cardoso Júnior, quando a cidade de Inácio Joaquim Barbosa completava seus quinze anos, ofereceu inicialmente os cursos de Humanidades, com quatro anos de duração e o Normal, feito em dois anos. O Inspetor Geral da Instrução Pública à época era Manuel Luiz Azevedo d’Araujo que empenhou-se com a criação do Atheneu.

Iniciou seus trabalhos em uma casa oferecida pela Câmara Municipal, um local inadequado e sem as acomodações necessárias. Novo prédio foi erguido com contribuições dos sergipanos para a sua instalação em dezembro de 1872, situado na Praça da Conceição. Por volta do final do século XIX mudou-se para a Rua de Boquim e em agosto de 1926 mais uma mudança, agora para o suntuoso prédio da Avenida Ivo do Prado. Finalmente o Atheneu Sergipense instalou-se no ano de em 1950 no atual local, à Praça Gracho Cardoso.

Ao longo dos anos o Atheneu Sergipense foi introduzindo novas cadeiras, suprimindo outras, e defendendo um método de ensino que estabelecesse conexões diretas entre a teoria e a prática. A preocupação com o lado prático, utilitário, suscitou modificações na estrutura dos cursos, não só quanto ao tempo de duração, mas também quanto aos compêndios, cadeiras e carga horária a elas destinadas, implantou biblioteca, gabinetes e outros elementos necessários para uma formação satisfatória.

Uma singularidade do Atheneu Sergipense é a existência concomitante dos dois cursos: o de Humanidades e o Normal, idealizado por Manuel Luiz, defensor da necessidade de centralizar as aulas de Humanidades e as do curso Normal em um só “estabelecimento publico de linguas e sciencias preparatorios”, com professores lecionando ao mesmo tempo nos dois cursos, em horários estabelecidos para funcionarem as cadeiras em dias alternados. Se o fato dos cursos estarem juntos no Atheneu Sergipense indicava um avanço para época, uma vez que, por exemplo, as Escolas Normais do Rio de Janeiro, São Paulo e Piauí foram criadas como cursos Normais separados dos cursos de Humanidades, muitos foram os problemas daí decorrentes. As dificuldades geradas por essa dupla, mista e fragmentada função, tais como a indisciplina dos alunos, a baixa freqüência, a ausência de autonomia dos cursos e a falta de professores provocaram querelas não só nas reuniões da Congregação, mas também fora dos limites internos, com publicações de artigos na imprensa local.

As lutas e negociações desencadearam momentos de separação dos cursos em prédios distintos, chegando ao ponto da desativação do Curso Normal, como também do seu restabelecimento, mostrando, pela insuficiência dos resultados – conforme Relatórios dos Diretores –, não haver sido essa uma confluência profícua. Não se pode falar do Atheneu Sergipense sem se reportar ao Curso Normal, da mesma forma que as pesquisas sobre a Escola Normal precisam fazer referências ao Atheneu Sergipense. Infere-se com isso que a instituição é o Atheneu Sergipense e a Escola Normal tem a sua gênese no Curso Normal.

As pesquisas de Alves (2005) indicam que ao longo dos anos o Atheneu Sergipense sofreu variadas denominações: Atheneu Sergipense (1870), Lyceu Secundário de Sergipe (1881), Escola Normal de Dois Graus (1882), Atheneu Sergipense (1890), Atheneu Pedro II (1925), Atheneu Sergipense (1938), Colégio de Sergipe (1942), Colégio Estadual de Sergipe (1943), Colégio Estadual Atheneu Sergipense (1970), e atualmente Centro de Excelência Colégio Atheneu Sergipense (2003) e atualmente Colégio estadual Atheneu Sergipense.

No entanto, mesmo sofrendo modificações significativas de instalação, denominação, tempo, tipos dos cursos oferecidos e quadro de professores, conforme a legislação e o período, o Atheneu Sergipense tentou manter-se fiel aos seus principais objetivos: ministrar uma instrução secundária, de caráter literário e científico, necessária e suficiente de modo a proporcionar à mocidade subsídios para matricular-se nos cursos superiores, como também para desempenhar variadas funções na sociedade.

Como qualquer outra instituição, o Atheneu Sergipense produziu e produz uma massa documental que testemunha sua história, quer com documentos do arquivo corrente, quer com a documentação histórica, hoje organizada no CEMAS – Centro de Educação e Memória do Atheneu Sergipense.

Eva Maria Siqueira Alves (UFS)

evasa@uol.com.br

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