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Ode ao Centenário do Colégio Estadual de Sergipe

Século dezenove. Na amplidão
A natureza acolhe a inteligência,
No vôo, em vertical independência;
A voz das letras fala em liberdade,
Toando o retumbar do pensamento,
Ora, na espada rude da batalha,
Ou na poesia que no céu se espalha.
Na fundação da Nacionalidade.
Lutas de heróis Os corpos, a alma e sonhos
Pintavam sobre o chão, rubro sudário:
Laguna Humaitá, tantos cenários,
Que a mão da guerra, em riste, lhes traçou.
A fé vibrava, estilhaçando golpes;
A força – o amor que se abraça à morte.
Tudo coragem, que convém aos fortes,
Fundamento que a pátria ali plantou.

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O céu contempla a terra, confudindo-se.
Da mente ao coração, liga-se um traço,
Para que o espírito tenha em seus braços
O horror, a glória, o infinito e o bem,
É romantismo, em asas, levantado,
Que o Sergipano alçou de suas mãos,
Para pousar nas grimpas da Nação,
Que só em seu poder ainda contém.

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Fazia pouco, os ecos estrugiam
Brados e dor e cantos de vitória.
Abriam-se, nas páginas da história
Muitos homens, mais valores, mais nobreza.
Heróis mostravam , no semblante audaz,
Lições, que a liberdade lhes talhou
Como o cinzel que em bronze eternizou
Heráldica escultura de realeza.

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Século de idéias, de transformações,
Que viu nascer Tobias sobranceiro,
Para transpor, em gesto condoreiro,
Os ares de seu e além se alçou,
Para não sentir a fé, mas a vingança
Dos que faziam corte das Igrejas,
Co’o gáudio da palavra e do amor.

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O batismo das guerras perlustrara
Os puros ideais, na luta insana.
O povo livre – a Lei Republicana;
O Bem da Pátria – as sãs aspirações.
E, na marcha de todos ao progresso,
Por armas – a consciência popular.
Não mais os braços rudos a arrogar,
Porém as letras nas revoluções.

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Assim é que surgiste – um templo, um cérebro,
E a inteligência, em prece, no saber,
Postou-se, no abismal silêncio, a crer
No belo, no infinito e na bondade,
Única ciência, no menor dos seres,
Fundida, na razão, sublime e igual,
E abriste por cem anos, teu portal,
No culto de salvar a humanidade.
Aracaju, 29 de setembro de 1970
Professor José Antônio da Costa Melo

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