Crônicas

“O Atheneu de todos nós”

Texto escrito pelo jornalista Osmário Santos e publicado na página VARIEDADES do Jornal da Cidade do dia 10 de dezembro de 2005

A sensação de quem participou da festa de reencontro de ex-alunos e professores do Atheneu, no dia 3 de dezembro, durante os momentos da realização do evento, não é só a de saudosismo. A positiva energia de cada um dos presentes, envolvida pela magia do prédio, que há anos abriga estudantes de todas as classes, toca dentro da alma de cada um que por anos estudou em seus bancos e sentiu a existência da fraternidade, da amizade e do acolhimento por parte de colegas, professores, diretores e funcionários, o que não é comum nas instituições de ensino, principalmente da área pública.

Atheneu de muitas histórias, célebres professores, memoráveis desfiles pelas ruas de Aracaju no dia 7 de setembro – sempre o mais aplaudido e o mais garboso.
Atheneu da sua famosa banda que, a convite, apresentava-se nas principais cidades do interior sergipano.
Atheneu da Arcádia Estudantil, da qual fui um dos seus presidentes e que nela, por teses defendidas, a exigência para ser árcade, passaram Iroíto Dória Leó, Luiz Fernando Soutelo, Raimundo Aguiar, Antônio Carlos dos Santos, e muito mais jovens estudantes despertados para a literatura.
Atheneu de memoráveis diretores, como Joaquim Vieira Sobral, Thétis Nunes, Rosália Bispo dos Santos, Silvério Fontes, Maria Augusta Lobão, Manoel Barreto, o “Professor Manuca”, Leão Magno Brasil, Glorita Portugal, Francisco Moura , Maria da Glória Monteiro, Marlene Montalvão e tantos outros, que foram além do fazer por obrigação, mas por um amor contagiante ao colégio que não tem explicações.
Atheneu Pedro II, que teve o professor Florentino Menezes, catedrático de Sociologia, como seu vice-diretor.
Atheneu do querido bedel Manoelzinho e da querida Dona Valdice.
Atheneu de hoje pelas mãos seguras da professora e diretora Osvaldina Ribeiro. Colégio que conquistou status de Centro de Excelência.
Atheneu Pedro II, equiparado do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro.
Atheneu com seus professores catedráticos e impecáveis laboratórios.
Atheneu do saudoso Grêmio Estudantil Clodomir Silva e da sua participação fervorosa e ativa na política estudantil.
Atheneu do jovem Lises Campos, que faleceu prematuramente, aluno exemplar, inteligência brilhante e coração generoso, peça principal do Grêmio Clodomir Silva, do qual foi sócio-fundador e vibrante orador.
Atheneu que teve o Doutor Clodomir de Souza e Silva, catedrático de Português.
Atheneu do tempo de Joel Silveira, de Ancelmo Góis, dois jornalistas sergipanos que fazem parte da história da imprensa no Brasil.
Atheneu demolidor nos esportes, época de Leó Filho.
Atheneu que conseguiu casar muita gente. Atheneu de meio mundo de celebridades.
Atheneu que comemora este ano 135 anos e que em 12 de março de 1929, em seu livro de visitas, escreve Hermes Fontes: “Muito agradável, muito impressivo e, sobretudo, muito animador, tudo que acabo de ver e observar nas fundações, instalações e objetivo do Atheneu Pedro II. Casa do amanhã sergipense, pois lhe cumpre a preparação da psique das novas gerações, não basta conservá-lo e mantê-lo, se não, e, principalmente, melhorá-lo e ampliá-lo da sua destinação àqueles mesmos objetivos, que, de futuro, talvez sejam os mesmos de hoje”.

Atheneu que teve sua VII Festa de Reencontro organizada pelos ex-alunos, João Quintino, Ester, Cristina, Eleide, Jorge Moreira, Lucia Costa Pinto, Angélica, Rosangela Menezes e Rosângela Moureira e Wagney Aragão

Pela mesma entrada do dia-a- dia de estudante secundarista, corredores e visualização das salas de aula, mudadas ao passar de ano, quem vai ao Atheneu na festa de reencontro sente o gosto da volta ao passado e orgulho de mais uma vez ter de estar no local que tem muito da sua vida, pois deu mais do que o saber. Ver-se diante de colegas por todos os lados e de várias gerações em uma ciranda que a cada ano aumenta o seu tamanho, pois os braços sempre abertos acolhem no olhar, no riso, no cumprimentar, no dançar, no cantar, no conversar por uma festa que tem como objetivo maior o reencontrar. Celebração da amizade, vida, alegria que transborda e contagia. Festa inesquecível que fascina a todos que nela participam e que têm nos presentes a prova do que foi o Atheneu do tempo de cada um.
Atheneu do seu tempo, do nosso tempo, Atheneu de todos que lá estudam e das gerações que continuarão a perpetuá-lo, desde que os governantes futuros respeitem sua história, e com obras permanentes de manutenção e preocupação constante com seus laboratórios, biblioteca, equipamentos esportivos e reconhecimento e compensação aos professores, diretores e funcionários, façam com o que Atheneu seja o mesmo Atheneu relatado por estas linhas.

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