Crônicas

“O Atheneu me dói na proximidade da ausência”

Mensagem escrita por Marcelo Déda no caderno da colega de turma, Ana Pimentel em seu último dia de aula no Atheneu Sergipense

Ana,

Quando o Atheneu for lembrança

Quando procurarmos a esperança

Quando brincarmos com a vida, como criança

Restará no peito a herança do bom que foi vivermos. Do bom que foi amarmos, depois brigarmos, depois voltarmos, depois chorarmos.

Você, vocês, como me dói deixá-los.

Pois é como deixar-me a sóis.

O Atheneu me dói na proximidade da ausência, na beleza que foi sonhar e na tristeza que é viver só.

Como quando aqui cheguei, me dói o peito e meus olhos, olham os olhos, as lembranças

Ana, Desirée, Raquel, Simone, Clenilde, Salete, Rosnei

Quantos fiz, quantas fiz ……

Porra, mil vezes porra.

Porque este sentimentalista besta, essa vontade quase … de chorar, de voltar a um dia.

Um janeiro de … que parecia bonito

Minha irmanzinha, vamos continuar nos vendo. Nossa amizade cura essa dor gigante.
Essa dor gigante que sufoca essa lágrima que fica tão mal no rosto de um homem, mas, meu Deus que vontade de ser menino e chorar, de dizer um palavrão e correr pelas ruas libertárias de Simão Dias. Minha Simão Dias que morreu com a minha infância.

Marcelo Deda Chagas, alguns me chamam de Deda, mas me chamem de Marcelo.

Aracaju, 05.12.1979

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