Crônicas

“Enfim, recordar é viver”

Crônica da Professora Yvone Mendonça de Sousa, proferida em 07 de  dezembro de 2013, na abertura da 15ª Confraternização dos ex-alunos do  Atheneu Sergipense

Tudo aconteceu numa roda de amigos.

E quando se fala em amigo também se fala em companheirismo. Foi num daqueles dias de sol brilhante e de encontros regado a abraços, recordações, sonhos e esperança que a ideia surgiu. Uma alegria invadiu todos os corações. Conversa vai conversa vem foi o clima que se instalou. Cada um a seu tempo tomava a palavra para trazer à baila, um pouco do passado das salas de aulas do velho e querido Atheneu Sergipense. As peraltices dos corredores no recreio, às vezes algumas gazetas que tanto contrariavam os queridos inspetores e auxiliares de disciplina sempre tão dóceis e amistosos, até mesmo nas broncas, que mais lembravam nossos pais. Bons tempos aqueles! Nas conversas vinham sempre à tona as lembranças de antigos funcionários dedicados como D. Valdice, e o Sr. Manuelzinho. D. Valdice, figura humana ímpar pela sua doçura e generosidade no trato com os adolescentes; ela encarnava a inspetora de alunos que, ao tempo em que repreendia, no mesmo momento acenava com as mais vivas expressões de afeto e carinho. Sr. Manuelzinho apesar da aparente rigidez não deixava de ser paternal e amigo.

Novos encontros se articulavam. Eram novas fontes de reminiscências. Enfim, recordar é viver. Na verdade revivíamos as práticas pedagógicas, os métodos de ensino dos queridos, saudosos e abnegados mestres que tanto contribuíram para a formação de gerações. Com eles convivíamos, aprendíamos e discutíamos serenamente as enriquecedoras lições da ciência e do saber. E íamos além, porque recebíamos belas lições de vida oriundas do coração de cada mestre cuja filosofia transcendente era mais que ensinar, era doar-se na arte de educar. Sentíamos o professor como um semeador de felicidade. Não é sem uma razão plausível que as gerações de um passado não muito remoto se afeiçoavam a uma plêiade de mestres ilustres representada entre tantos nas imponderáveis figuras de Glorita Portugal, Lucila Morais, Carmelita Pinto Fontes e Ofenísia Freire, esta última de saudosa memória. Assim, num rasgo de iluminação, o ex-aluno João Quintino de Moura Filho, sonhador, qual Dom Quixote, em meio ao grupo, declarou seu grande sonho: criar a Festa dos ex- colegas do Atheneu. Pensava assim em congregar mais amigos e ampliar o repositório de histórias do passado para contar no presente e, de mãos dadas. E sabe-se que sonho que se sonha só é até possível realizar-se.

No entanto, em grupo, em conjunto, ele se fortalece. Foi o que ocorreu na prática. Fecho os olhos e abro as cortinas de um passado mais recente e lá encontro o mesmo grupo sonhador cujos nomes não quero mencioná-los para não incorrer em injustiça. Todos eles estão inscritos no livro do coração. Eles estão presentes agora e estiveram muitos, nessas 15 celebradas edições, com alegria e entusiasmo. A cada ano cresce em número, animação, nostalgia, mas também integração. A cada edição um novo tema cultural, às vezes reescrevendo cada década. Entre tantos, exaltou-se a “Jovem Guarda”, reviveu-se o período das “Frenéticas”, todos revestidos de uma dramaticidade peculiar e ao mesmo tempo jocosa para o encantamento dos participantes os quais retornam com um certo frenesi aos momentos vividos na adolescência. Uma agradável mescla de cultura, alegria, amizade e companheirismo. Como uma feliz juventude que vive a cantar e dançar, saudando a beleza da vida. Os movimentos culturais desenvolvidos nos intramuros do Atheneu não foram esquecidos: O CEGAS, a Arcádia que lembrava uma mini academia de escritores e poetas, as belezas dos tradicionais desfiles, as balizas, banda marcial e das fanfarras tão a gosto dos adolescentes. Esta última, revivida com o garbo dos ex-alunos, hoje com os cabelos encanecidos pelas brumas do tempo, mas conservando a juventude do espírito e do coração.

De todos os quadrantes do Brasil onde existir um ex-aluno do Atheneu, bate forte um coração cioso para conhecer tão expressivo evento. É um dia de reencontro. Quem nunca participou, ao tomar ciência quer conhecer e participar. Se já conhece, guarda no peito a vontade de repetir e renovar os sonhos de uma doce e saudável confraternização que já faz parte do calendário cultural do Estado de Sergipe.

O encerramento de cada encontro, de cada edição, é sempre revestido de emoção e saudosismo. É uma viagem no tempo cujas experiências de convivência mágica ficam registradas e o desejo de voltar no tempo e no espaço.

Participar de cada edição é motivo especial para rever amigos, ex-colegas e ex-professores aposentados que afluem ao tradicional Colégio convidados e trazidos carinhosamente pela equipe organizadora para que sejam alvo do carinho e do respeito dos presentes.

Participar da 15ª EDIÇÃO da Confraternização dos ex-alunos do Ateneu Sergipense é reescrever a multifacetada história da mais importante unidade educacional do Estado de Sergipe, E é muito mais, asseguro: é a festa da cultura, da amizade e dos ecos do coração.

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