História do Atheneu Sergipense

Foto - Edson Araujo
Foto: Edson Araújo

O Atheneu Sergipense, instituição oficial de estudos secundários de Sergipe, criado a 24 de outubro de 1870 no Governo do Presidente Tenente Coronel Francisco José Cardoso Júnior, quando a cidade de Inácio Joaquim Barbosa completava seus quinze anos, ofereceu inicialmente os cursos de Humanidades, com quatro anos de duração e o Normal, feito em dois anos. O Inspetor Geral da Instrução Pública à época era Manuel Luiz Azevedo d’Araujo que empenhou-se com a criação do Atheneu.

Iniciou seus trabalhos em uma casa oferecida pela Câmara Municipal, um local inadequado e sem as acomodações necessárias. Novo prédio foi erguido com contribuições dos sergipanos para a sua instalação em dezembro de 1872, situado na Praça da Conceição. Por volta do final do século XIX mudou-se para a Rua de Boquim e em agosto de 1926 mais uma mudança, agora para o suntuoso prédio da Avenida Ivo do Prado. Finalmente o Atheneu Sergipense instalou-se no ano de em 1950 no atual local, à Praça Gracho Cardoso.

Ao longo dos anos o Atheneu Sergipense foi introduzindo novas cadeiras, suprimindo outras, e defendendo um método de ensino que estabelecesse conexões diretas entre a teoria e a prática. A preocupação com o lado prático, utilitário, suscitou modificações na estrutura dos cursos, não só quanto ao tempo de duração, mas também quanto aos compêndios, cadeiras e carga horária a elas destinadas, implantou biblioteca, gabinetes e outros elementos necessários para uma formação satisfatória.

Uma singularidade do Atheneu Sergipense é a existência concomitante dos dois cursos: o de Humanidades e o Normal, idealizado por Manuel Luiz, defensor da necessidade de centralizar as aulas de Humanidades e as do curso Normal em um só “estabelecimento publico de linguas e sciencias preparatorios”, com professores lecionando ao mesmo tempo nos dois cursos, em horários estabelecidos para funcionarem as cadeiras em dias alternados. Se o fato dos cursos estarem juntos no Atheneu Sergipense indicava um avanço para época, uma vez que, por exemplo, as Escolas Normais do Rio de Janeiro, São Paulo e Piauí foram criadas como cursos Normais separados dos cursos de Humanidades, muitos foram os problemas daí decorrentes. As dificuldades geradas por essa dupla, mista e fragmentada função, tais como a indisciplina dos alunos, a baixa freqüência, a ausência de autonomia dos cursos e a falta de professores provocaram querelas não só nas reuniões da Congregação, mas também fora dos limites internos, com publicações de artigos na imprensa local.

As lutas e negociações desencadearam momentos de separação dos cursos em prédios distintos, chegando ao ponto da desativação do Curso Normal, como também do seu restabelecimento, mostrando, pela insuficiência dos resultados – conforme Relatórios dos Diretores –, não haver sido essa uma confluência profícua. Não se pode falar do Atheneu Sergipense sem se reportar ao Curso Normal, da mesma forma que as pesquisas sobre a Escola Normal precisam fazer referências ao Atheneu Sergipense. Infere-se com isso que a instituição é o Atheneu Sergipense e a Escola Normal tem a sua gênese no Curso Normal.

As pesquisas de Alves (2005) indicam que ao longo dos anos o Atheneu Sergipense sofreu variadas denominações: Atheneu Sergipense (1870), Lyceu Secundário de Sergipe (1881), Escola Normal de Dois Graus (1882), Atheneu Sergipense (1890), Atheneu Pedro II (1925), Atheneu Sergipense (1938), Colégio de Sergipe (1942), Colégio Estadual de Sergipe (1943), Colégio Estadual Atheneu Sergipense (1970), e atualmente Centro de Excelência Colégio Atheneu Sergipense (2003) e atualmente Colégio estadual Atheneu Sergipense.

No entanto, mesmo sofrendo modificações significativas de instalação, denominação, tempo, tipos dos cursos oferecidos e quadro de professores, conforme a legislação e o período, o Atheneu Sergipense tentou manter-se fiel aos seus principais objetivos: ministrar uma instrução secundária, de caráter literário e científico, necessária e suficiente de modo a proporcionar à mocidade subsídios para matricular-se nos cursos superiores, como também para desempenhar variadas funções na sociedade.

Como qualquer outra instituição, o Atheneu Sergipense produziu e produz uma massa documental que testemunha sua história, quer com documentos do arquivo corrente, quer com a documentação histórica, hoje organizada no CEMAS – Centro de Educação e Memória do Atheneu Sergipense.

Eva Maria Siqueira Alves (UFS)

evasa@uol.com.br

Hino do Centenário

1870 – COLÉGIO ESTADUAL DE SERGIPE – 1970

Prof. José Franklin e Prof. José Antônio da Costa

 

Ressurjam glórias, que na voz polífona
O canto do saber jorre solene,
Vencendo o tempo, a proclamar uníssona
Os dons da inteligência e o amor perene se expanda em harmonia,
Em vibrações na crença que culmina real soberania,
Nas mãos e no poder de quem ensina,

Sustém-vos a verdade, ornando a paz,
No líbaro sereno, erguido e puro,
Nos punhos da razão, na guerra audaz
Que plantam mais raízes de futuro.
E, além dos horizontes e dos portais, fagando em refulgência, deixa correr as fontes,
Nos campos viridentes da ciência.

Exalta-se o labor, e, na bravura das gerações que fez, entre seus braços,
Ao estender-se em frondes de culturas
Mostrai, Colégio Estadual, os laços de majestosa herança,
Unindo as eras e a legar às gentes o fruto da bonança
Igual no tempo e o mesmo no presente.

Sublime na escalada dos cem anos,
Alçando a fronte, a mente e o coração,
Deixastes vir os lábios sergipanos, a revelar o amor, na tradição.
Ardente de ideal,
Mostrando-vos soberbo em vosso porte, porque sois imortal,
Rasgando o tempo, a projetar-vos forte.

Ode ao Centenário do Colégio Estadual de Sergipe

Século dezenove. Na amplidão
A natureza acolhe a inteligência,
No vôo, em vertical independência;
A voz das letras fala em liberdade,
Toando o retumbar do pensamento,
Ora, na espada rude da batalha,
Ou na poesia que no céu se espalha.
Na fundação da Nacionalidade.
Lutas de heróis Os corpos, a alma e sonhos
Pintavam sobre o chão, rubro sudário:
Laguna Humaitá, tantos cenários,
Que a mão da guerra, em riste, lhes traçou.
A fé vibrava, estilhaçando golpes;
A força – o amor que se abraça à morte.
Tudo coragem, que convém aos fortes,
Fundamento que a pátria ali plantou.

-x-

O céu contempla a terra, confudindo-se.
Da mente ao coração, liga-se um traço,
Para que o espírito tenha em seus braços
O horror, a glória, o infinito e o bem,
É romantismo, em asas, levantado,
Que o Sergipano alçou de suas mãos,
Para pousar nas grimpas da Nação,
Que só em seu poder ainda contém.

-x-

Fazia pouco, os ecos estrugiam
Brados e dor e cantos de vitória.
Abriam-se, nas páginas da história
Muitos homens, mais valores, mais nobreza.
Heróis mostravam , no semblante audaz,
Lições, que a liberdade lhes talhou
Como o cinzel que em bronze eternizou
Heráldica escultura de realeza.

-x-

Século de idéias, de transformações,
Que viu nascer Tobias sobranceiro,
Para transpor, em gesto condoreiro,
Os ares de seu e além se alçou,
Para não sentir a fé, mas a vingança
Dos que faziam corte das Igrejas,
Co’o gáudio da palavra e do amor.

-x-

O batismo das guerras perlustrara
Os puros ideais, na luta insana.
O povo livre – a Lei Republicana;
O Bem da Pátria – as sãs aspirações.
E, na marcha de todos ao progresso,
Por armas – a consciência popular.
Não mais os braços rudos a arrogar,
Porém as letras nas revoluções.

-x-

Assim é que surgiste – um templo, um cérebro,
E a inteligência, em prece, no saber,
Postou-se, no abismal silêncio, a crer
No belo, no infinito e na bondade,
Única ciência, no menor dos seres,
Fundida, na razão, sublime e igual,
E abriste por cem anos, teu portal,
No culto de salvar a humanidade.
Aracaju, 29 de setembro de 1970
Professor José Antônio da Costa Melo

Por Marcelo Déda, “O Atheneu me dói na proximidade da ausência”

Mensagem escrita por Marcelo Déda no caderno da colega de turma, Ana Pimentel em seu último dia de aula no Atheneu Sergipense

Ana,

Quando o Atheneu for lembrança

Quando procurarmos a esperança

Quando brincarmos com a vida, como criança

Restará no peito a herança do bom que foi vivermos. Do bom que foi amarmos, depois brigarmos, depois voltarmos, depois chorarmos.

Você, vocês, como me dói deixá-los.

Pois é como deixar-me a sóis.

O Atheneu me dói na proximidade da ausência, na beleza que foi sonhar e na tristeza que é viver só.

Como quando aqui cheguei, me dói o peito e meus olhos, olham os olhos, as lembranças

Ana, Desirée, Raquel, Simone, Clenilde, Salete, Rosnei

Quantos fiz, quantas fiz ……

Porra, mil vezes porra.

Porque este sentimentalista besta, essa vontade quase … de chorar, de voltar a um dia.

Um janeiro de … que parecia bonito

Minha irmanzinha, vamos continuar nos vendo. Nossa amizade cura essa dor gigante.
Essa dor gigante que sufoca essa lágrima que fica tão mal no rosto de um homem, mas, meu Deus que vontade de ser menino e chorar, de dizer um palavrão e correr pelas ruas libertárias de Simão Dias. Minha Simão Dias que morreu com a minha infância.

Marcelo Deda Chagas, alguns me chamam de Deda, mas me chamem de Marcelo.

Aracaju, 05.12.1979

“Bom dia, queridos ex-colegas do Colégio Atheneu Sergipense”

Por Margarete Silva

Sempre me emociono ao lembrar dos bons momentos que passei nesse COLÉGIO. As dribladas que procurava aplicar em dona Valdice; os pulos pelas janelas para encontrar um namoradinho – esse, coitado, nem na mão,  pegava; ir ao comércio (rua João Pessoa); desfilar com aquela farda linda, com a saia enrolada na cintura para ficar curtinha – mas um shortinho na cor da mesma, por baixo; ir aos programas Roteiro das Onze, os quais aconteciam nos cines Vitória, Rio Branco e Aracaju e, na Rádio Cultura, entre outras… . Num desses programas (Cine Vitória), participei do concurso de dança individual, do qual fui vitoriosa. Recebi como prêmio, um conjunto de toalhas cor de rosa. Fiquei muito feliz, porém, tinha o outro lado da questão: meu nome foi anunciado ao vivo, pelo apresentador Gilvan Fontes, através da rádio Cultura. Como justificar isso aos meus pais,  que achavam que eu estava no colégio?  Nesse dia, o programa tinha sido organizado por uma das turmas da 8ª série, onde minha prima, Lizieux (simplesmente, Zier, para nós), fazia parte dela. Foi ela quem me salvou de levar uma bela surra.Risos. O tal conjunto de toalhas ficou guardado por algum tempo, até que eu pudesse mostrá-lo para os meus pais.

Além desses momentos maravilhosos, também tive o privilégio de representar o colégio no período de 1973 a 1975, em grupo e individualmente, na modalidade esportiva de GINÁSTICA OLÍMPICA, hoje, mais conhecida como GINÁSTICA ARTÍSTICA, onde fui campeã e vice. Devido a esses resultados, fui convidada para fazer parte da seleção sergipana nessa modalidade, pela qual, representamos o estado nos Jogos Estudantis Brasileiros – JEBs, em Brasília e Maceió,  por dois anos. A equipe era formada por mim, Vanailde, Sônia, Elizana e tínhamos como técnica a querida Lourdinha.

Eu sempre chegava atrasada e apressada nos treinamentos. Aí a  técnica dizia: “chega logo, Margarete, vai para o aquecimento” Eu respondia: “já estou aquecida. Vim quase correndo de casa; já lavei prato, limpei a casa”, esta era a maneira de agradar minha mãe, para que ela me deixasse fazer ginástica. Naquela época, o esporte não era levado a sério, como hoje. Era considerado por muitas pessoas apenas, brincadeira. Meus pais, quase não me deixaram participar dos campeonatos, inclusive dos brasileiros, se não fosse a interferência de uma pessoa da secretaria de educação, a qual não estou lembrada seu nome. Lembro-me que essa pessoa foi a minha casa, à noite, falar com meu pai para que ele concordasse com a minha participação nos tais campeonatos. Em 1993, em Brasília, ficamos em 7º lugar no Brasil.

Tem uma coisa que vou contar para vocês: sempre que vou a essa festa e vejo aquela banda se apresentar, a vontade que tenho é de desfilar junto,  como baliza… Quem sabe um dia isso acontecerá! Fico muito emocionada, não dá pra segurar as lágrimas!  Parece que estou vivendo aqueles momentos de apresentação na ginástica!

Escrever estas linhas foi muito emocionante. Parece que estou vivendo tudo aquilo. Chorei em alguns momentos e o coração bateu mais forte. Perdoem-me se fui chata em fazer este depoimento. Tenho quase certeza que existe muitos ex-colegas que também tem belas histórias para contar sobre as nossas vidas no Colégio Atheneu Sergipense.

Um grande abraço para todos e até o dia 03/12/2011, com certeza, se Deus quiser!!

Margarete Silva é também ex-aluna do Atheneu, participa da festa todos os anos e escreveu esse depoimento em 25/11/2011 

P.S.:

João Quintino de Moura – recebi esta mensagem poucos dias antes da festa de 2011. Imediatamente pedi a Lucia para entrar em contato com Margarete e dizer para ela que se a costureira garantisse que podia fazer a farda em tempo, a gente garantia a participação dela no desfile. A farda foi confeccionada e Margarete até hoje desfila com banda).

ATHENEU SERGIPENSE E SEUS EX-ALUNOS

Crônica publicada no Informativo da DESO, de 15 de fevereiro de 2002, escrita pelo ex-aluno Marcelo Batista Santos.

Pela terceira vez, ex-colegas do Colégio Estadual Atheneu Segipense se reuniram para reviver a época de estudante. O evento, que foi realizado em dezembro de 2001. Desse evento, participaram os engenheiros Marcelo Batista, Max Maia Montalvão e o técnico Raul Carvalho. Nessa edição especial, o colega Marcelo Batista faz uma reflexão do reencontro.

 

Às vezes faço isto:
– Bom dia! Gostaria de falar com a Diretora.
– Bom dia! Quem é você?
– Um ex-aluno.
– E o que deseja?
– Percorrer os corredores e as salas de aula do Colégio.

Começo a subir a escada que conduz à congregação e à sala dos professores. Acima, uma “amputação”, onde funcionava o espaço cultural. Neste local improvisaram um auditório, cortando do colégio o Teatro. Atravesso um portão gradeado; dirijo-me ao corredor superior norte. Contemplo conhecidos cantos. Há uma série grande de elementos construtivos, testemunhos de vidas, que lutam contra o tempo, as intempéries e os descasos… um rodapé, uma soleira, janelas outrora abertas, azulejos quebrados. Um pormenor besta, banal mesmo, passa a ter importância fora do comum. Entro em uma sala, abro as gavetas; visualizo no quadro negro a última aula; observo o delicado vazio neste belo momento humano. Muitos esta sala já abrigou. Continuo minha perquirição solitária. Agora, caminho pelo corredor superior leste. As recordações desordenadas e amarradas com o nó de marinheiro ganham um ordenamento de tempo e espaço; ficam soltas, palpáveis à minha frente. Relembro pessoas e situações, são impressões visuais produzidas por cenas da adolescência. Nenhuma delas tem grande conteúdo, mas são minhas e inesquecíveis.

Embriagado pelos sentimentos de perda, afastamento e ausência, começo a percorrer o corredor sul. Vejo à direita a quadra de esporte, o banco ensombreado pelo oitizeiro, onde nasceram grandes amores de insignificantes começos. Aqui, penso em dois professores: Padre Pedro, mestre que ensinava pelos exemplos. Se reencarnação houver, ele não virá mais: era perfeito. Nunca vi nada igual. E Maria da Glória Portugal, a professora Glorita, belo exemplo de mulher, que soube suportar a dor de existir, com coragem, dignidade e elegância. Nela, cada ato era precedido de uma consciente decisão.

Desço a escada, dissolvendo a angustiante embriaguez, que me conduz à saída. Há 30 anos eu e toda uma geração, após isso partimos esperançosos, com uma bagagem de boas recordações de tudo que ficara para trás, para vivermos uma misteriosa e interminável transição.

 

DEZEMBRO DE 2001 – Atheneu 30 anos depois

Com serena firmeza e tímido silêncio vão chegando seus ex-alunos. A maioria vem sozinha. Outros trazem filhos, esposas ou maridos.

À chegada, somos recebidos pelo ex-porteiro Bia e por uma linda estudante trajando farda de gala, empunhando a Bandeira Nacional. Adiante, um painel com uma homenagem póstuma a ex-alunos a quem o destino decidira diferentemente. Nele encontro fotos de um irmão e dois amigos. Lágrimas vêm aos olhos. Afasto- me para chorar. Recomponho-me e entro, após assinar a lista de presença. Ocupo uma mesa, acompanhado por colegas destacando o guerreiro Clodualdo.

Chegam ex-professores, ex-diretores e funcionários aposentados. Ovacionados de pé pelos presentes que já ultrapassam duzentos, a bedel Dona Valdice e a professora Glorita, com seus quase noventa anos.

Fico pensando de que substrato é feito o Atheneu. Será o mesmo das catedrais?

Que filandra é esta que une todos os presentes, hoje médicos, advogados, engenheiros, professores, funcionários públicos e privados, empresários e até desempregados? Será que no inconsciente de todos o Atheneu representa uma síntese de um mundo a revocar?

Trinta anos é muito tempo. O inconformismo e a permissividade foram a marca da minha geração. Confronto-a com o presente. Hoje, psicólogos destilam o inconformismo dos nossos filhos e a permissividade, esvaiu-se. Continua a mesma irresolução do homem perante a vida.

Soa a sirene. Fantasmas saudosos tomam conta de todos. Brota um silêncio eloqüente, depois são palmas, arrepios e choros. Desculpe-me John Lenon, mas o sonho não acabou. Somos todos alunos; acordamos e estamos aqui para mais um dia de aula. Sabemos que existe muita coisa triste. Grandes são os nossos problemas, angústias e aflições. Maiores são nossas culpas. Esqueçamos isto … Gracias a la vida… Dois mundos em perigosa e delirante proximidade.

Tocam o Hino Nacional. Um temeroso e esperançoso orgulho pelo Brasil irradia dos presentes. Professores fazem a chamada e nós alunos respondemos. Alguém da comissão organizadora inicia a oração de São Francisco, e todos acompanham. O porão está em rebuliço. Coisas internas se misturam com as externas. Logo após é servido o almoço.

“Era um garoto que como eu / amava os Beatles e os Rolling Stones”… Começa a parte musical. As mulheres formam uma roda e dançam alegremente para espantar as tristezas do passado e do presente.

Atheneu, valeu a pena voltar a esta revisita coletiva, porque você é antes de tudo uma grande lição de beleza. Valeu a pena voltar para ouvir, depois de um olhar, um sorriso, um beijo na face, um aperto de mão ou um efusivo abraço, quatro palavras, simples, mágicas e niveladores: Oi, colega, tudo bem?

 

“Enfim, recordar é viver”

Crônica da Professora Yvone Mendonça de Sousa, proferida em 07 de  dezembro de 2013, na abertura da 15ª Confraternização dos ex-alunos do  Atheneu Sergipense

Tudo aconteceu numa roda de amigos.

E quando se fala em amigo também se fala em companheirismo. Foi num daqueles dias de sol brilhante e de encontros regado a abraços, recordações, sonhos e esperança que a ideia surgiu. Uma alegria invadiu todos os corações. Conversa vai conversa vem foi o clima que se instalou. Cada um a seu tempo tomava a palavra para trazer à baila, um pouco do passado das salas de aulas do velho e querido Atheneu Sergipense. As peraltices dos corredores no recreio, às vezes algumas gazetas que tanto contrariavam os queridos inspetores e auxiliares de disciplina sempre tão dóceis e amistosos, até mesmo nas broncas, que mais lembravam nossos pais. Bons tempos aqueles! Nas conversas vinham sempre à tona as lembranças de antigos funcionários dedicados como D. Valdice, e o Sr. Manuelzinho. D. Valdice, figura humana ímpar pela sua doçura e generosidade no trato com os adolescentes; ela encarnava a inspetora de alunos que, ao tempo em que repreendia, no mesmo momento acenava com as mais vivas expressões de afeto e carinho. Sr. Manuelzinho apesar da aparente rigidez não deixava de ser paternal e amigo.

Novos encontros se articulavam. Eram novas fontes de reminiscências. Enfim, recordar é viver. Na verdade revivíamos as práticas pedagógicas, os métodos de ensino dos queridos, saudosos e abnegados mestres que tanto contribuíram para a formação de gerações. Com eles convivíamos, aprendíamos e discutíamos serenamente as enriquecedoras lições da ciência e do saber. E íamos além, porque recebíamos belas lições de vida oriundas do coração de cada mestre cuja filosofia transcendente era mais que ensinar, era doar-se na arte de educar. Sentíamos o professor como um semeador de felicidade. Não é sem uma razão plausível que as gerações de um passado não muito remoto se afeiçoavam a uma plêiade de mestres ilustres representada entre tantos nas imponderáveis figuras de Glorita Portugal, Lucila Morais, Carmelita Pinto Fontes e Ofenísia Freire, esta última de saudosa memória. Assim, num rasgo de iluminação, o ex-aluno João Quintino de Moura Filho, sonhador, qual Dom Quixote, em meio ao grupo, declarou seu grande sonho: criar a Festa dos ex- colegas do Atheneu. Pensava assim em congregar mais amigos e ampliar o repositório de histórias do passado para contar no presente e, de mãos dadas. E sabe-se que sonho que se sonha só é até possível realizar-se.

No entanto, em grupo, em conjunto, ele se fortalece. Foi o que ocorreu na prática. Fecho os olhos e abro as cortinas de um passado mais recente e lá encontro o mesmo grupo sonhador cujos nomes não quero mencioná-los para não incorrer em injustiça. Todos eles estão inscritos no livro do coração. Eles estão presentes agora e estiveram muitos, nessas 15 celebradas edições, com alegria e entusiasmo. A cada ano cresce em número, animação, nostalgia, mas também integração. A cada edição um novo tema cultural, às vezes reescrevendo cada década. Entre tantos, exaltou-se a “Jovem Guarda”, reviveu-se o período das “Frenéticas”, todos revestidos de uma dramaticidade peculiar e ao mesmo tempo jocosa para o encantamento dos participantes os quais retornam com um certo frenesi aos momentos vividos na adolescência. Uma agradável mescla de cultura, alegria, amizade e companheirismo. Como uma feliz juventude que vive a cantar e dançar, saudando a beleza da vida. Os movimentos culturais desenvolvidos nos intramuros do Atheneu não foram esquecidos: O CEGAS, a Arcádia que lembrava uma mini academia de escritores e poetas, as belezas dos tradicionais desfiles, as balizas, banda marcial e das fanfarras tão a gosto dos adolescentes. Esta última, revivida com o garbo dos ex-alunos, hoje com os cabelos encanecidos pelas brumas do tempo, mas conservando a juventude do espírito e do coração.

De todos os quadrantes do Brasil onde existir um ex-aluno do Atheneu, bate forte um coração cioso para conhecer tão expressivo evento. É um dia de reencontro. Quem nunca participou, ao tomar ciência quer conhecer e participar. Se já conhece, guarda no peito a vontade de repetir e renovar os sonhos de uma doce e saudável confraternização que já faz parte do calendário cultural do Estado de Sergipe.

O encerramento de cada encontro, de cada edição, é sempre revestido de emoção e saudosismo. É uma viagem no tempo cujas experiências de convivência mágica ficam registradas e o desejo de voltar no tempo e no espaço.

Participar de cada edição é motivo especial para rever amigos, ex-colegas e ex-professores aposentados que afluem ao tradicional Colégio convidados e trazidos carinhosamente pela equipe organizadora para que sejam alvo do carinho e do respeito dos presentes.

Participar da 15ª EDIÇÃO da Confraternização dos ex-alunos do Ateneu Sergipense é reescrever a multifacetada história da mais importante unidade educacional do Estado de Sergipe, E é muito mais, asseguro: é a festa da cultura, da amizade e dos ecos do coração.

“O Atheneu de todos nós”

Texto escrito pelo jornalista Osmário Santos e publicado na página VARIEDADES do Jornal da Cidade do dia 10 de dezembro de 2005

A sensação de quem participou da festa de reencontro de ex-alunos e professores do Atheneu, no dia 3 de dezembro, durante os momentos da realização do evento, não é só a de saudosismo. A positiva energia de cada um dos presentes, envolvida pela magia do prédio, que há anos abriga estudantes de todas as classes, toca dentro da alma de cada um que por anos estudou em seus bancos e sentiu a existência da fraternidade, da amizade e do acolhimento por parte de colegas, professores, diretores e funcionários, o que não é comum nas instituições de ensino, principalmente da área pública.

Atheneu de muitas histórias, célebres professores, memoráveis desfiles pelas ruas de Aracaju no dia 7 de setembro – sempre o mais aplaudido e o mais garboso.
Atheneu da sua famosa banda que, a convite, apresentava-se nas principais cidades do interior sergipano.
Atheneu da Arcádia Estudantil, da qual fui um dos seus presidentes e que nela, por teses defendidas, a exigência para ser árcade, passaram Iroíto Dória Leó, Luiz Fernando Soutelo, Raimundo Aguiar, Antônio Carlos dos Santos, e muito mais jovens estudantes despertados para a literatura.
Atheneu de memoráveis diretores, como Joaquim Vieira Sobral, Thétis Nunes, Rosália Bispo dos Santos, Silvério Fontes, Maria Augusta Lobão, Manoel Barreto, o “Professor Manuca”, Leão Magno Brasil, Glorita Portugal, Francisco Moura , Maria da Glória Monteiro, Marlene Montalvão e tantos outros, que foram além do fazer por obrigação, mas por um amor contagiante ao colégio que não tem explicações.
Atheneu Pedro II, que teve o professor Florentino Menezes, catedrático de Sociologia, como seu vice-diretor.
Atheneu do querido bedel Manoelzinho e da querida Dona Valdice.
Atheneu de hoje pelas mãos seguras da professora e diretora Osvaldina Ribeiro. Colégio que conquistou status de Centro de Excelência.
Atheneu Pedro II, equiparado do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro.
Atheneu com seus professores catedráticos e impecáveis laboratórios.
Atheneu do saudoso Grêmio Estudantil Clodomir Silva e da sua participação fervorosa e ativa na política estudantil.
Atheneu do jovem Lises Campos, que faleceu prematuramente, aluno exemplar, inteligência brilhante e coração generoso, peça principal do Grêmio Clodomir Silva, do qual foi sócio-fundador e vibrante orador.
Atheneu que teve o Doutor Clodomir de Souza e Silva, catedrático de Português.
Atheneu do tempo de Joel Silveira, de Ancelmo Góis, dois jornalistas sergipanos que fazem parte da história da imprensa no Brasil.
Atheneu demolidor nos esportes, época de Leó Filho.
Atheneu que conseguiu casar muita gente. Atheneu de meio mundo de celebridades.
Atheneu que comemora este ano 135 anos e que em 12 de março de 1929, em seu livro de visitas, escreve Hermes Fontes: “Muito agradável, muito impressivo e, sobretudo, muito animador, tudo que acabo de ver e observar nas fundações, instalações e objetivo do Atheneu Pedro II. Casa do amanhã sergipense, pois lhe cumpre a preparação da psique das novas gerações, não basta conservá-lo e mantê-lo, se não, e, principalmente, melhorá-lo e ampliá-lo da sua destinação àqueles mesmos objetivos, que, de futuro, talvez sejam os mesmos de hoje”.

Atheneu que teve sua VII Festa de Reencontro organizada pelos ex-alunos, João Quintino, Ester, Cristina, Eleide, Jorge Moreira, Lucia Costa Pinto, Angélica, Rosangela Menezes e Rosângela Moureira e Wagney Aragão

Pela mesma entrada do dia-a- dia de estudante secundarista, corredores e visualização das salas de aula, mudadas ao passar de ano, quem vai ao Atheneu na festa de reencontro sente o gosto da volta ao passado e orgulho de mais uma vez ter de estar no local que tem muito da sua vida, pois deu mais do que o saber. Ver-se diante de colegas por todos os lados e de várias gerações em uma ciranda que a cada ano aumenta o seu tamanho, pois os braços sempre abertos acolhem no olhar, no riso, no cumprimentar, no dançar, no cantar, no conversar por uma festa que tem como objetivo maior o reencontrar. Celebração da amizade, vida, alegria que transborda e contagia. Festa inesquecível que fascina a todos que nela participam e que têm nos presentes a prova do que foi o Atheneu do tempo de cada um.
Atheneu do seu tempo, do nosso tempo, Atheneu de todos que lá estudam e das gerações que continuarão a perpetuá-lo, desde que os governantes futuros respeitem sua história, e com obras permanentes de manutenção e preocupação constante com seus laboratórios, biblioteca, equipamentos esportivos e reconhecimento e compensação aos professores, diretores e funcionários, façam com o que Atheneu seja o mesmo Atheneu relatado por estas linhas.

Por Jorge Lins de Carvalho, “De um tempo. De uma escola. Velhos corredores”

 

Um dia eu pensei que podia ser feliz.

Sonhei que podia conquistar o mundo, abraçar o sol, falar de coisas bonitas,

conhecer pessoas, ter muitos amores.

Um dia eu pensei que podia ser feliz.

Corria pelos corredores do meu Atheneu e pensava grande: Ia ser o dono do mundo!!!

A felicidade parecia tão próxima …

Brincava com a verruga de Dona Valdice

Com os gritos de Manézinho …

O dia parecia completo e com razão para ter sol: os meus mestres!!!

Professor Leão, Maria da Glória Monteiro, Adão, Torroio, Ronaldo, Antônio dos Santos,

Franklin, Heribaldo, Jeferson. Marlene Tojal, Marlene Montalvão, Sônia Andrade, Glorita,

Carmelita Fontes, Jorge Brilhantina, José Carlos (Pardal), Francisco Moura, Feola,

Terezinha, Marlio, Nely, Candoca, Sônia Ramalho, Galdino, Didi Macedo, Jorge Moura,

Pedro Amado, Lucila, José dos Anjos, Calumby,

Saudade.

De uma época em que os olhos pareciam ter um brilho eterno.

Saudade.

De um tempo. De uma escola. Velhos corredores. A escola podia não estar assim,

pintada, cheirando a nova … mais havia uma energia, uma força tão grande nos

olhares, nas pessoas, que faltar um dia era como estar doente!

Um dia eu pensei que podia ser feliz …

Nas festinhas dos sábados sempre na casa de algum colega, dos desfiles de sete de

setembro, nos jogos estudantis, na quem-me- quer da Fausto Cardoso, no iate com o The

Tops, nas festinhas da AABB da Zaqueu Brandão, nos campinhos do Bariri, nas missas

aos domingos na Catedral, nas meninas do G.A.

Engraçado, hoje as festas são para mais de dez mil pessoas e ninguém se conhece

direito. Sete de setembro virou uma obrigação cívica, os jogos viraram promoções

políticas, a Fausto Cardoso, coitada da Fausto Cardoso … O Iate não tem mais jantar

dançante, o The Tops não existe, a AABB da Zaqueu Brandão virou agência de Banco,

nos campos do Bariri foram construídos prédios e prédios… as missas são pela TV Globo

de manhãzinha e até o G.A das meninas bonitas virou instituto de previdência…

É … Acho que envelheci… de verdade!!!

Um dia eu pensei que podia ser feliz!

Trinta anos depois, eu descobri que o mundo mudou muito, tudo está diferente!

Mas, ainda continuo querendo ser feliz…

E hoje aqui no meu colégio, com tantos colegas que não vejo há tanto tempo é que

eu compreendo ainda mais o quanto foi importante a época em que eu descobri que

queira ser feliz…

Os anos passam, os cabelos ficam brancos e caem, a barriga cresce, mas os

sonhos não morrem!

Um dia eu pensei que podia ser feliz.

E ainda penso: Eu posso e vou ser feliz.

Crônica de Jorge Lins de Carvalho lida na abertura da 5ª Festa de  Confraternização dos ex-colegas, ex-professores e ex-funcionários do  Colégio Estadual Atheneu Sergipense, realizada em 20 de dezembro de 2003.

18ª Festa terá doações para a AMO

Ex-Alunos do Atheneu preparam reencontro com doações para a AMO

18ª edição do evento acontece no dia 03 de dezembro

A festa mais aguardada do ano está chegando! Prepare o coração, porque ao som do toque da sirene escolar, o 18º Reencontro dos Ex-Alunos do Colégio Atheneu Sergipense acontece no dia 03 de dezembro de 2016, a partir das 17h, no Iate Clube de Aracaju.

Com o tema “Volta às Aulas”, a comissão organizadora de ex-alunos aguarda você para reviver os bons tempos de escola, em período eufórico de retorno às aulas. Tudo isso, ao som da orquestra Celebration (Maceió-AL) e do esperado desfile da Banda Marcial dos Ex-Alunos do Atheneu Sergipense.

Ingressos e Doações

Os ingressos estarão disponíveis à venda, aos sábados, desde o dia 05 de novembro, no Café da Gente, no Museu da Gente Sergipana, das 10h às 14h, no valor de R$ 130 + 1kg de alimento não perecível (Mesa 4 pessoas) e R$ 30 + 1kg de alimento não perecível (individual). Todos os produtos arrecadados serão doados para Associação dos Amigos da Oncologia em Sergipe (AMO).

O evento anual é uma realização do Movimento dos Ex-Alunos do Atheneu Sergipense.

Datas das vendas dos ingressos:

· Aos sábados: 05/11, 12/11, 19/11, 26/11, das 10h às 14h – Museu da Gente Sergipana.

· De terça-feira, 29/11, até sexta-feira, 02/12, das 10h às 14h – Museu da Gente Sergipana.

· Dia do evento, 03 de dezembro de 2016, os ingressos serão vendidos no local da festa, a partir das 8h, no Iate Clube de Aracaju.

Texto: Tiffany Tavares